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No céu tem cuscuz? (ou como a morte te ensina a viver)
Livrando a Mente 💭 - Edição # 06
Poucas coisas mexem tanto com a gente quanto morte. Saber que agora estamos aqui (vivos, presentes e zuadentos) e depois não estaremos mais, quando alguém juntará nossos trecos.
Esse pensamento dá calafrios, não a toa fugimos dele como o diabo foge da cruz.
Falar de morte é tabú, assunto que drena a alegria das conversas, e faz de seu anfitrião, no mínimo, um chato.
Mas será essa a melhor forma de lidar com a única certeza da vida?
Será se evitarmos tocar no assunto é normal ou indício de uma sociedade sem maturidade para assuntos mais complexos?
Mas, afinal, o que podemos aprender com a morte?
A morte dá sentido à nossa existência

Morte dá sentido à nossa vida.
A filosofia não entende a morte como fim da existência, mas algo que faz parte dela. E só quando sabemos que a vida tem um fim, é que lhe damos valor, atribuímos sentido, cores, emoções.
Entender que nossa estadia aqui é temporária é justamente o que dá valor à hospedagem.
A ideia é melhor compreendida com um raciocínio inverso. Como seria a vida de um ser “não atormentado” pela finitude da vida, um imortal. Vamos chamá-lo de Dorian.
A vida de Dorian seria um sonho, uma maravilha… ou não? 🤔
A sina de Dorian

Dorian Grey e o drama da imortalidade.
Por viver sem prazo, Dorian presenciaria a morte de todos os que ama (família e amigos), e todos os novos laços já trariam a certeza futura da dor da despedida.
Por ser imortal não veria sentido em religiões, que buscam dar sentido à existência; a sua vida seria como um barco sem destino em um oceano de despedidas.
As únicas saídas para esse ciclo de sofrimento seriam: isolamento ou laços superficiais (a ponto de não se importar mais com a morte que o cerca). Que vida!
Essa ideia não é nova, Oscar Wilde tratou dela no espetacular O Retrato de Dorian Gray, livro de 1890! No livro, Dorian fala, por experiência própria: Há coisas que são preciosas por não durarem.
Uma vida imortal levaria ao esvaziamento existencial, uma vida sem sentido por falta de seu componente essencial: a finitude, a morte. E nesse vazio, a tendência é a perda dos valores, da moral, da razão de se fazer o certo.
Ou se morre como herói, ou vive-se o bastante para se tornar o vilão.
Em nível de homem, a ausência da morte deturpa o sentido da vida. Mas a nível de sociedade, uma sociedade de imortais seria melhor?
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